A investigação em Manuais Escolares e suas dimensões analíticas: exemplo de um estudo comparativo europeu

  • Cristina Maia Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto
Palavras-chave: Manuais escolares, Educação Histórica, tendências de investigação, categorias de análise, métodos mistos

Resumo

As investigações em Manuais Escolares têm-se desenvolvido em Portugal e no Mundo nas
últimas décadas com um interesse significativo no contexto da História da Educação e da
Educação Histórica, e com importantes repercussões no ensino da História. O nosso artigo tem
por finalidade abordar as várias áreas de investigação a que se prestam os Manuais Escolares e,
consequentemente, daí emanam um conjunto de categorias de análise que se enquadram em
metodologias qualitativas de análise de conteúdo, de análise de discurso, donde destacamos a
narrativa histórica, e de métodos mistos. Apontaremos as várias dimensões analíticas desta área
de investigação para depois, de seguida, nos centrarmos na aplicação de algumas delas num
estudo comparativo europeu de grande abrangência: Manuais Escolares de 17 países de três
áreas geográficas europeias bem diferenciadas – Europa Ocidental, Europa de Leste e Europa
Nórdica – serviram de mote para compreender o ensino da Guerra Fria entre o período final
da Guerra Fria e o pós-Guerra Fria. Apresentaremos o desenho de uma investigação com um
processo inovador de análise qualitativa e quantitativa de dados, um método misto, embora com
prioridade à abordagem qualitativa, e que beneficiou da aplicação de software específico. Esta
investigação revelou que se pode tirar grandes vantagens da combinação da análise destas duas
perspetivas metodológicas, demonstrando os benefícios do desenvolvimento de métodos mistos
em investigação com manuais escolares.

Referências

Apple, M.; Christian-Smith, L. (1991). The Politics of the Textbook. Nova Iorque: Routledge.
Apple, M. (2002). Manuais Escolares e Trabalho Docente – Uma Economia Política de Relações de
Classe e de Género na Educação. Lisboa: Didáctica Editora.
(1992). History and Social Studies – Methodologies of Textbook Analysis, Report of the Educational
Research Workshop held in Braunschweig 1990. Amesterdão: Conselho da Europa, Swets &
Zeitlinger B.V..
Bardin, L. (1979). Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70.
Bell, J. (1997). Como realizar um projecto de investigação – Um guia para a pesquisa em Ciências
Sociais e da Educação. Lisboa: Gradiva.
Cabral, M. (2005). Como analisar Manuais Escolares. Col. “Educação Hoje”. Lisboa: Texto Editores.
Choppin, A. (1992). Les Manuels Scolaires: Histoire et Actualité. Paris: Hachette Education.
Choppin, A. (dir. de) (1995). Les manuels scolaires en France de 1789 à nos jours – Bilan des études et
recherches. Paris: Institut National de Recherche Pédagogique.
Choppin, A. (1999). Les Manuels Scolaires de la Production aux modes de Consommation, in R.
Vieira de Castro, A. Rodrigues, J. Silva, M. Sousa (org.), Manuais Escolares – Estatuto, Funções,
História (pp. 3-17). Braga: Instituto de Educação e Psicologia Universidade do Minho.
Foster, S. J.; Crawford, K. A. (1988). What shall we tell the Children? International Perspectives on
School History Textbooks. Nova Iorque: MacMillan.
Gérard, F.; Roegiers, X. (1998). Conceber e Avaliar Manuais Escolares. Porto: Porto Editora.
Low-Beer, A. (1997). The Council of Europe and School History. Strasbourg: Council of Europe CC-ED/
HIST (98)47.
Magalhães, J. (1999). Um apontamento para a história do manual escolar entre a produção
e a representação, in R. Vieira de Castro, A. Rodrigues, J. Silva, M. Sousa (org.), Manuais
Escolares – Estatuto, Funções, História (pp. 279-301). Braga: Instituto de Educação e Psicologia
Universidade do Minho.
Magalhães, J. (2007). O Manual Escolar no Quadro da História Cultural – Para uma historiografia do
manual escolar em Portugal, in http://sisifo.fpce.ul.pt/?r=1&p=10, visitado em 21.04.2007.
Maia, C. (2017). Investigação qualitativa e métodos mistos em Manuais Escolares: um estudo
comparativo europeu. Atas Investigação Qualitativa em Educação do 6.º Congresso Ibero
Americano en Investigación Cualitativa. 2nd International Symposium on Qualitative Research
(pp. 1672-1681). Salamanca, Espanha. (disponível em: http://proceedings.ciaiq.org/index.
php/ciaiq2017/article/view/1520/1477)
Mikk, J. (2000). Textbook: Research and Writing. Frankfurt: Peter Lang Europäischer Verlag der
Wissenschaften.
Moniot, H. (1993). Didactique de l’ Histoire. Col. “Perspectives Didactiques”. Paris: Éditions Nathan.
Pingel, F. (1999). UNESCO Guidebook on Textbook Research and Textbook Revision. Georg Eckert
Institut/United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization.
Santo, E. (2006). Os manuais escolares, a construção de saberes e a autonomia do aluno. Auscultação
a alunos e professores (pp.103-115). Revista Lusófona de Educação, 8.
Silva, I. (1993). Reflexões sobre manuais escolares. As Línguas Clássicas – Investigação e Ensino.
Actas-Separata (pp. 207-216). Coimbra: Faculdade de Letras.
Valente, M. O. (1989). Manuais Escolares – Análise de Situação. Lisboa: Ministério da Educação.
Weinbrenner, P. (1992). Methodologies of Textbook Analysis used to date. In History and Social Studies
– Methodologies of Textbook Analysis, Report of the Educational Research Workshop held in
Braunschweig, 1990; (21-34). Amesterdão: Conselho da Europa, Swets & Zeitlinger B.V..
Publicado
2017-03-13
Secção
Desenvolvimento curricular e didáctica