Desenvolvimento de abordagens CTS por discentes de uma licenciatura em ciências

  • Susan Bruna Carneiro Aragão Universidade de São Paulo
  • Thaís Cyrino De Mello Forato Universidade Federal de São Paulo
  • Simone Alves De Assis Martorano Universidade Federal de São Paulo
  • Danielle Beatriz De Sousa Borges Universidade Federal do ABC
Palavras-chave: Abordagem CTS, Formação inicial de professores, Ensino de ciências

Resumo

Este trabalho analisa as propostas da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) para as aulas de Química e Física no Ensino Médio, desenvolvidas por discentes de um curso de Graduação em Ciências - Licenciatura, de uma universidade pública brasileira. A formação deu-se nas disciplinas de Práticas Pedagógicas de Química e Física, em 2015, quando os futuros professores elaboraram uma sequência de aulas com o enfoque na abordagem CTS. A metodologia de análise pautou-se nas categorias de contextualização de M. Lufti, avaliando se as propostas limitavamse a apenas motivar e/ou ilustrar; se promoveriam uma problematização integrando conceitos científicos, questões sociais e tecnológicas; se excluíam questões ambientais econômicas, sociais e politicas, ou ainda, se faziam emergir o extraordinário. A análise foi complementada, mediante pressupostos da metodologia qualitativa de pesquisa, por meio de dados extraídos das notas de campo das professoras e da pesquisadora que acompanhou a disciplina. Os resultados indicam algumas propostas privilegiando conteúdos científicos que explicam fatos cotidianos, porém, sem relacioná-los às questões sociais. Outras propostas trouxeram conteúdos científicos abordados superficialmente e exploraram sobretudo questões sociais, políticas, tecnológicas ou econômicas. Um outro grupo apresentou maior equilíbrio entre os conteúdos científicos sociais e tecnológicos, utilizando o conhecimento científico para o enfrentamento de situações problemáticas, em função do contexto social e tecnológico. Observou-se, ainda, que as categorias de Lufti não são suficientes para uma análise mais ampla do aprendizado dos alunos, pois há elementos do processo formativo que elas não contemplam. Os resultados obtidos possibilitaram a revisão de alguns aspectos da disciplina.

Publicado
2016-07-05
Secção
Formação de Professores – Que avanços e boas práticas partilhar?