A escrita epistolar como objeto de pesquisa: um estudo sobre as cartas das princesas brasileiras

  • Jaqueline Vieira de Aguiar Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Maria Celi Chaves Vasconcelos Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Palavras-chave: Escrita epistolar, Egodocumentos, Cartas oitocentistas, rincesas Isabel e Leopoldina, História da Educação no Brasil

Resumo

O presente trabalho tem como objeto a escrita epistolar, apresentando os procedimentos
metodológicos relativos a essa abordagem da pesquisa qualitativa, com enfoque históricodocumental,
na qual a investigação não se refere apenas ao conteúdo das missivas analisadas, mas
também à materialidade evidenciada, examinando os papéis no que tange a itens como a escrita
do texto, a tinta usada, as marcas encontradas, os símbolos, as margens, os desenhos, as cores, os
espaços em branco, a datação, os tratamentos e fechamentos, a colocação das assinaturas e o pósescrito.
As principais fontes utilizadas são egodocumentos, como cartas e bilhetes, trocados entre
a família imperial brasileira, durante o período de educação das princesas Isabel e Leopoldina, os
anos de 1854 a 1864, pertencentes, hoje, a diferentes arquivos e acervos, localizados, especialmente,
no Museu Imperial em Petrópolis/Brasil. O referencial bibliográfico utilizado dialoga com autores
que fazem uso de métodos e técnicas aplicados à análise e interpretação de egodocumentos,
bem como pesquisadores que estudam cartas em suas possibilidades autobiográficas, entre eles,
Flexor; Bastos, Cunha e Mignot; Sierra Blas; Francès; e Gomes. Conclui-se que os egodocumentos
são fundamentais para a recomposição histórica, possibilitando múltiplos olhares sobre um mesmo
período e acontecimento, neste caso, o processo de formação e educação das futuras soberanas
e herdeiras do trono do Brasil, as princesas Isabel e Leopoldina. Além disso, constata-se que a escrita
epistolar permite ao historiador, ainda que não possa dominar totalmente seu objeto, uma visão
mais intimista dos personagens que pretende retratar.

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Publicado
2017-03-13
Secção
Desenvolvimento curricular e didáctica