Pesquisa qualitativa em Educação: estudos transdisciplinares do Grupo de Pesquisa Humanidades e Sociedade Contemporânea do IFMT (GPHSC-IFMT)

  • Raquel Martins Fernnandes Mota Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso Campus Bela Vista
  • Jair Aniceto de Souza Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso Campus Avançado Sinop
  • Paulo Alves de Oliveira Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso Campus São Vicente
  • Marco Aurélio Bulhões Neiva Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso Campus Bela Vista
  • Rodney Mario de Almeida Centro Universitário de Várzea Grande
  • Felicissimo Bolivar da Fonseca Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso Campus Bela Vista
Palavras-chave: ensino, educação, ciências humanas, pesquisa qualitativa, fenomenologia

Resumo

O presente artigo tem o propósito de apresentar algumas reflexões sobre o viés epistemológico da
pesquisa qualitativa. Sua produção é o resultado de debates e intervenções críticas realizadas no
percurso dos pesquisadores do Grupo de Pesquisa Humanidades e Sociedade Contemporânea
do IFMT (GPHSC-IFMT). O objetivo é apresentar que os resultados das pesquisas apontam
para o falso dualismo entre os termos qualitativo e quantitativo em Educação. Se constitui,
metodologicamente, de uma pesquisa documental bibliográfica, de cunho fenomenológico
e utiliza-se do júri de especialistas. Os resultados concentram-se, inicialmente, no esforço de
construção da autonomia epistemológica e metodológica das ciências humanas, realizado
por Dilthey, Weber e Merleau-Ponty. Esse esforço possibilitou a ruptura epistemológica com o
dualismo sujeito-objeto que está na base das ciências naturais. Apresenta aspectos do debate
que se instalou nas ciências humanas e na educação quanto à pertinência, adequação ou
inadequação dos métodos quantitativos e qualitativos nos processos de validação de suas
pesquisas. Concebendo a oposição simplificadora entre o quantitativo e o qualitativo como
produtora de um falso dualismo, coaduna-se com a ideia kantiana de que a quantidade evoca
a qualidade do objeto, tal qual a qualidade é um aspecto da quantidade.

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Publicado
2017-03-13
Secção
Desenvolvimento curricular e didáctica