Um olhar sobre a formação de professores de matemática na ilha de Santiago – Cabo Verde

  • Leila Eleanor Monteiro Veiga Faculdade de Educação e Desporto, Universidade de Cabo Verde
  • José Luis Carvalho Grupo de Investigação CiberDidact, Universidade de Extremadura
  • Luis Manuel Casas García Grupo de Investigação CiberDidact, Universidade de Extremadura
  • Ricardo Luengo González Grupo de Investigação CiberDidact, Universidade de Extremadura
Palavras-chave: Educação, Professores, Formação inicial, Matemática, Formação contínua

Resumo

Neste artigo é apresentado um estudo sobre a formação de professores que ensinam matemática (do 1º ao 12º ano de escolaridade) com vista a compreender como a formação que se ministra nas escolas de formação de professores os dota de competências científicas e didático/pedagógicas. O estudo foi baseado na análise dos planos de estudo das escolas de formação (Universidade de Cabo Verde e Instituto Universitário da Educação) e na opinião de alguns formadores dessas instituições.
Em termos metodológicos, recorremos a um desenho de natureza qualitativa. Assim, aplicamos duas técnicas de recolha de dados (análise documental a planos de estudo das escolas de formação de professores e entrevista semiestruturada aplicada a quatro formadores). A técnica de análise de dados foi a análise de conteúdo.
A formação inicial é de extrema importância para que o professor desempenhe com competência o seu trabalho. No entanto, da análise dos dados inferimos que os planos de estudo devem ser mais exigentes, aperfeiçoados e aprofundados, tanto ao nível de conhecimentos científicos como pedagógicos dos conteúdos. Além disso, os formadores entrevistados, foram unânimes em afirmar que, o docente se faz, também, na prática, através de um desempenho comprometido e inovador.
A partir da análise dos planos de estudo, foi-nos possível concluir que, levando em conta o número de disciplinas nucleares existentes nos planos de estudo, é notória uma deficiente apropriação de certos conteúdos (científicos e pedagógicos), por parte dos futuros professores, no decorrer da sua formação, o que pode condicionar o perfil de saída, influenciando assim o bom desempenho das suas atividades letivas futuras.
No que tange à formação contínua, pudemos averiguar que os formadores entrevistados atribuem muita importância a este tipo de formação, afirmando que funciona como um complemento da inicial, que serve para tratar questões pontuais e atuais referentes à prática letiva e ainda pode ser uma ponte para a partilha de experiências e reflexões.
De acordo com as opiniões recolhidas, a situação da formação contínua em Cabo Verde é muito deficitária. Os professores propõem que essas ações de formação sejam mais específicas, focadas em assuntos relativos a conteúdos matemáticos, ministradas de forma prática, envolvendo os formandos na elaboração dos planos de necessidades e mobilizando um maior número de participantes.

Publicado
2021-07-28
Secção
Supervisão