A planificação na formação inicial de professores: um retrato a partir dos contributos da educação histórica

  • Ana Isabel Moreira Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e Memória»
  • Pedro Duarte Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto
Palavras-chave: planificação, educação histórica, formação inicial de professores

Resumo

Como nos explica Rosales López (2012), o ato de planificar é uma prática específica da ação docente e, como tal, é essencial que os professores em formação desenvolvam competências no âmbito desta temática. Na mesma linha de pensamento, Roldão (2017) advoga a necessidade de se investigarem os processos pelos quais o currículo - na sua dinâmica prescrita - é, efetivamente, concretizado nos contextos educativos.

Partindo destes pressupostos, no presente artigo temos como objetivo analisar as características das planificações desenhadas por futuros professores de História, aquando da prática educativa supervisionada, nomeadamente os contributos decorrentes dos estudos curriculares, bem como aqueles que são mais específicos da educação histórica (Barca, 2009), aí patentes. Para tal, optamos por uma análise documental de nove planificações provenientes de três instituições universitárias portuguesas distintas. Numa aproximação à Grounded Theory foi nosso propósito, também, criar uma planificação-tipo, enquanto retrato das principais tendências notadas.

No final, verificamos que a direção tomada pelos futuros docentes pode ler-se a partir de dois eixos distintos: i) uma linha de pensamento curricular influenciada pelas teorias mais tradicionais e burocráticas, privilegiando, quase por inerência, estratégias pedagógicas assentes na ação primordial do professor e fundamentalmente expositiva; ii) a não integração de alguns dos mais relevantes princípios da educação histórica - a saber, a prevalência das destrezas do pensamento histórico, a diversidade de fontes de facto exploradas e uma recorrente relação intertemporal - evidenciando que, ainda na formação inicial, se valorizam mais os conhecimentos substantivos em detrimento dos saberes sobre História (Seixas, 2017).

Publicado
2019-12-19
Secção
Supervisão