Áreas Temáticas

Alterações Globais e Desenvolvimento Sustentável

As alterações do clima, dos oceanos, da química da atmosfera e da ecologia dos diferentes habitats que atualmente ocorrem à escala global podem afetar de forma irreversivel a vida no nosso planeta. Embora algumas destas mudanças ocorram de forma "natural" (sem intervenção do Homem), a maioria das alterações globais têm na sua origem atividades antropogénicas e colocam em causa um desenvolvimento sustentável.

Nesta área do conhecimento estarão enquadrados os contributos que abordem as respostas biológicas promovidas por alterações globais a qualquer nivel organizacional, do molecular ao bioma.

 

Ambiente e Saúde

A proteção do ambiente e da saúde constitui um dos maiores desafios que se colocam à sociedade moderna. Os cidadãos possuem, atualmente, plena consciência que aspetos como a contaminação ambiental por agentes químicos e a qualidade dos alimentos, do ar e da água estão entre os que afetam de forma mais significativa a saúde humana. No entanto, as interações entre a saúde humana e o ambiente são muito complexas e difíceis de avaliar, o que torna a utilização do princípio de precaução e prevenção especialmente útil. Reconhecida que é a necessidade de melhoria ambiental, associada a um incremento da qualidade de vida, torna-se indispensável aprofundar o conhecimento da relação entre estes fatores e os seus efeitos na saúde. Neste sentido, o papel da alimentação equilibrada na manutenção da saúde tem despertado o interesse da comunidade científica, que tem produzido inúmeros estudos, com o intuito de comprovar a atuação de certos alimentos na prevenção de doenças. Assim contemplado na temática Ambiente e Saúde, pretende-se a publicação de trabalhos científicos que se enquadrem nas seguintes áreas específicas: (i) avaliação de exposições ambientais e ocupacionais a diferentes agentes de stress e seus impactos na saúde humana; (ii) metodologias químicas e bioquímicas aplicadas a avaliações clínicas e ambientais; (iii) alimentos funcionais: Estudos microbiológicos e nutricionais com alimentos probióticos e prebióticos; (iv) novos produtos - compostos com propriedades bioativas incluindo antioxidantes, fitoquímicos e botânicos; (v) efeitos do processamento sobre a composição, qualidade e segurança dos alimentos, subprodutos e tratamento de resíduos; (vi) química de aditivos, contaminantes, e outros de produtos agroquímicos, juntamente com o seu metabolismo e toxicologia.

 

Biodiversidade e Conservação

Na área temática de Biodiversidade e Conservação, procuramos contribuições relacionadas com a diversidade biológica (sensu lato) ou com estratégias de conservação, sem discriminação quanto a grupo taxonómico ou habitat. Incluem-se aqui manuscritos que se debrucem sobre ameaças à biodiversidade, incluindo aspetos relacionados com efeitos de alterações climáticas, degradação ambiental, e impacto de espécies alienígenas (ou invasoras).

Fomentamos a divulgação de estudos no território Português, com enfoque em áreas protegidas, hot-spots de biodiversidade, habitats vulneráveis ou pouco estudados, e também biodiversidade em contexto urbano. São particularmente bem-vindos projetos de conservação da fauna e flora indígena, que descrevam estudos de monitorização de espécies protegidas e/ou ameçadas, reintrodução de espécies em declínio, entre outros, eventualmente envolvendo autoridades locais, escolas, entidades privadas, associações, ou Organizações Não Governamentais (ONGs).

 

Biologia Molecular e Biotecnologia

A biologia molecular e a biotecnologia são dois temas muito abrangentes que englobam áreas muito diversas, mas ambos estão frequentemente correlacionados. Com o surgimento de novas ferramentas de biologia molecular, houve um aumento extraordinário do nosso conhecimento a respeito dos genomas (humanos e não humanos) e do funcionamento de vários sistemas biológicos. Essas descobertas acarretaram o desenvolvimento de novas tecnologias que têm contribuído para a cura de doenças, melhoria do meio ambiente, aumento na produção de alimento e mais desenvolvimento científico e tecnológico. Contudo, nós só estamos no começo de uma grande revolução. O desenvolvimento da biologia molecular e biotecnologia irá fomentar cada vez mais descobertas extraordinárias que poderão contribuir para melhoria da qualidade de vida de todos nós e minimizar os danos causados pelas atividades industriais e acidentes ambientais. Esses dois ramos da biologia estão em pleno desenvolvimento e irão contribuir para que surjam progressivamente novas oportunidades de trabalho no âmbito, científico e tecnológico.

 

Ecologia e Evolução

A revista CAPTAR pretende, no âmbito da área temática Ecologia e Evolução, publicar artigos científicos que descrevam trabalhos, preferencialmente experimentais, em ecologia aplicada, evolução e na interface destas disciplinas (incluindo genética de populações, ecofisiologia, comportamento, conservação, poluição,…). Serão considerados estudos a quaisquer níveis de organização biológica (das macromoléculas aos ecossistemas), envolvendo quaisquer categorias taxonómicas ou biocenoses presentes em quaisquer habitats. Privilegiar-se-ão artigos que não se restrinjam a aspetos descritivos mas que envolvam discussão de hipóteses, de implicações relevantes para os ecossistemas, de consequências das alterações climáticas globais, etc. Abordagens multi- e transdisciplinares com outras áreas serão especialmente benvindas.

 

Educação Ambiental e Ensino Experimental das Ciências

A revista CAPTAR não quis deixar de contemplar trabalhos realizados que visem a educação para a sustentabilidade e a promoção da literacia científica, em contexto formal e não formal. Esta área temática pretende ser um espaço para a divulgação de estudos e atividades que constituam abordagens inovadoras no âmbito da proteção ambiental e dos recursos naturais, e/ou que reflitam o desenvolvimento de novas metodologias para o Ensino das Ciências.

Não obstante o interesse de manuscritos de revisão ou estudos de cariz teórico sobre as grandes tendências atuais e paradigmas associados à Educação Ambiental e ao Ensino Experimental das Ciências, priveligiar-se-á a publicação de manuscritos que relatem atividades com uma forte componente prática/experimental, que tenham sido testadas com sucesso ou que sejam realistas quanto à facilidade de aplicação efetiva em contexto educacional. Considerando estas premissas, serão muito bem recebidas contribuições provenientes de meios exteriores às Universidades e Institutos de Investigação, nomeadamente de escolas, de associações e entidades de promoção ambiental, de grupos empresariais privados, etc. 

 

Energias Renováveis

No âmbito da presente área temática pretende dar-se a conhecer os principais avanços científicos e tecnológicos no contexto das várias formas de energia renovável atualmente ao nosso dispôr. Dado o elevado potencial da energia solar como recurso alternativo em países do sul da Europa e tropicais, será dado especial enfoque a este tema, nomeadamente no contexto da conversão em energia elétrica (fotovoltaica), química  (fotossíntese artificial, fotoelectrólise) e térmica. Não serão, contudo, esquecidas as outras alternativas, como os biocombustíveis, biomassa e as energias geotérmica, hídrica e eólica. Todas estas soluções contribuem de forma significativa para resolução do problema energético mundial, tendo por isso um enorme impacto a nível ecológico, económico e social. São, por isso, áreas de investigação extremamente dinâmicas, nas quais todos os dias surgem novas descobertas e novas soluções.

 

Geociências

As Geociências são o conjunto das ciências relacionadas com o estudo da Terra tais como: Geologia, Geografia, Geofísica, Geoquímica, Geotecnia, Geomorfologia, Geocronologia, Geodinâmica, Geotermia, Geoclimatologia, entre outras. A Geologia, que recebe um particular enfoque no Ensino Básico e Secundário, ocupa-se do estudo dos materiais que formam a Terra (rochas, solos, água), da sua distribuição e da sua utilização sustentada, dos acontecimentos que nela tiveram lugar e das transformações que sofreu ao longo do tempo. Dos diversos ramos da Geologia destaca-se a Geologia Estrutural e Tectónica, Mineralogia, Cristalografia, Petrologia, Hidrogeologia, Sedimentologia, Paleontologia, Vulcanologia, Sismologia. Constitui-se como disciplina científica no princípio do Séc. XIX. Todavia, tomou grande desenvolvimento, sobretudo nas últimas décadas, quer como ciência pura, quer como ciência aplicada: Geologia de Engenharia, Geologia do Ambiente, Geologia Marinha, Geologia do Petróleo, Geologia dos Jazigos Minerais, Geologia Urbana, Geologia Económica, etc. Diferenciada em numerosos ramos, ou especializações, a Geologia figura, hoje, entre as ciências que maiores serviços prestam à Humanidade. Neste contexto, serão aceites todos os contributos nas mais diversas áreas das Geociências, dando-se preferência particular aos manuscritos que abordem princípios básicos e/ou aplicações/benefícios para a sociedade resultantes dos avanços mais recentes do conhecimento na área.

 

Toxicologia e Química Ambiental

A contaminação ambiental com uma panóplia de novos compostos químicos (e.g. pesticidas, surfactantes, fármacos e produtos de higiene pessoal) e/ou o aumento da biodisponibilidade de outros como resultado de atividades antropogénicas (e.g. metais) tem colocado sérias ameaças à saúde humana e ecossistemas. A toxicologia e a ecotoxicologia evoluíram assim em estreita ligação com a química ambiental no sentido de responder à necessidade de avaliar os riscos ambientais dos mais diversos compostos, de forma a fornecer informação científica de base para a regulamentação da comercialização e das taxas de aplicação dos mesmos.

Nesta vasta área do conhecimento, resultante das interações entre estes três ramos da ciência, enquadram-se, todos os contributos que: i) descrevam novas metodologias para avaliar as frações biodisponíveis de químicos nas diferentes matrizes ambientais (água, solo e ar); ii) avaliação de resíduos em amostras biológicas; iii) testes e ensaios ecotoxicológicos; iv) ensaios de toxicidade in situ; v) desenvolvimento de novos parâmetros de avaliação da toxicidade de compostos e vi) aplicação de esquemas de análise de avaliação de riscos de locais contaminados.