Níveis semânticos da justiça no livro de Job
DOI:
https://doi.org/10.34624/fb.v0i20.38376Palavras-chave:
justiça, ética, Deus, aporia, emoção estéticaResumo
O livro de Job é um caso muito singular e original na Bíblia; ele é também um exemplo bem representativo das incidências do humanismo e do tipo de investimento filosófico próprio das culturas da antiguidade pre-clássica. Nele, deparamo-nos com uma tentativa ingente para resolver um sentimento de aporia que afeta de maneira dramática o domínio da justiça e do humano, na fronteira profunda de conflito que se revela entre a ética e a teodiceia. Daí resulta um sentimento de solidão e vazio no horizonte do agir humano, vazio que soa a absurdo; e este conceito é epistemologicamente insuportável. Através de uma análise em sucessivos estados de dilema sobre os condicionamentos existenciais da justiça, a discussão desdobra-se numa verdadeira citação forense em que Deus é o acusado, e vai procedendo por múltiplas descons- truções contrapostas. A via de resolução recorre aos dinamismos de uma emoção estética transcendental, a convergir para um final que é de reconstrução, a fim de recuperar uma nova síntese de consciência sobre bases estéticas elementares e fundamentais e a permitir-se alguma ingenuidade em admitir as condições de vida do ponto de partida.




