“Guerra” e linguagem jornalística: metaforicidade e objetividade

Palavras-chave: metaforicidade, metáforas de guerra, literal-figurado, linguagem e subjetividade

Resumo

As expressões de guerra são inevitáveis no quotidiano dos média: guerras em sentido prototípico (como a atual, 2022, a da Ucrânia) ou em sentido metafórico, como as do desporto (em Portugal, maioritariamente o futebol) ou das “lutas quotidianas” pela sobrevivência.
Aparentemente, a temática guerra real-“guerra” metafórica não implicará ambiguidade, até porque a tradição clássica da Retórica parte do axioma de que, na linguagem, o plano literal não se confunde com o plano figurado.
Este texto parte de uma ótica divergente da Retórica clássica, numa linha que defende não existir uma separação dual, rígida, entre metafórico e não metafórico, mas sim graus de metaforicidade diferenciados, sendo esta entendida como uma distanciação dinâmica e variável no plano não figurado-figurado (ou denotação-conotação, não metafórico-metafórico).
Defendemos, assim, que, no caso do discurso sobre conflitos, a mesma situação pode ser apresentada como “guerra”(real) e como “não-guerra” (guerra apenas metafórica) tendo, portanto, o discurso poder manipulador na construção dos conceitos que se veiculam.

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Publicado
2023-11-17