Mutantes, máquinas e monstros: rostos da guerra na ficção científica cinematográfica

Palavras-chave: semiótica, iconologia, narrativa, personagem, retrato, herói

Resumo

A guerra – aqui entendida num sentido lato, e englobando múltiplas iterações em termos de escala, protagonistas e motivações – é, seguramente, uma das temáticas mais presentes no cinema de ficção científica das últimas cinco décadas. Sagas como Planet of the Apes, Star Wars, Mad Max, Terminator, The Matrix ou The Hunger Games são, a esse propósito, bem demonstrativas, como o são os filmes Escape from New York, Dune, Children of Men ou Avatar. Trata-se de obras que, independentemente do juízo cinéfilo ou do estatuto crítico das mesmas, ocupam um lugar de destaque no imaginário e na cultura ocidentais. O que pretendemos, neste ensaio, é organizar uma galeria de retratos dos principais protagonistas e antagonistas dessas narrativas. Para tal recorreremos a uma abordagem híbrida e heterogénea, multi-, trans- ou mesmo a-disciplinar, dependendo da perspetiva adotada a cada passo: propomo-nos operar uma semiótica alargada que reenvie ou se cruze com um conjunto de noções provindas da filosofia, da narratologia, da religião ou da estética, num repertório organizado em tríades concetuais que nos permitirão pontos de vista múltiplos sobre os retratados e, desse modo, detetar os signos e sinais da sua condição enquanto rostos-ideia, rostos-arquétipo ou rostos-figura: o humano, o pós-humano e o desumano; o herói, o anti-herói e o vilão; o soldado, o alien e o androide; o belo, o sublime e o feio; a alegoria, a parábola e a fábula; o paraíso, o purgatório e o inferno; a utopia, a heterotopia e a distopia. Através da análise destes rostos da guerra futura, pretendemos esboçar a hipotética galeria/iconologia de um devir bélico da condição humana.

Referências

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Publicado
2023-11-17